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Brasil

Surto de sarampo nos EUA acende alerta no Brasil

Surto de sarampo nos EUA, ligado a discursos antivacina, preocupa autoridades brasileiras. São Paulo já soma 40 casos em 2026 e país busca manter certificação de área livre da doença.

Redação Jornal de Rio Preto 21 de outubro de 2026, 22h10

País soma mais de 4,4 mil casos e três mortes; São Paulo já registrou 40 casos este ano e integra o grupo de estados mais afetados no Brasil

Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de três décadas, com mais de 4,4 mil casos confirmados e três mortes neste ano, segundo dados divulgados pela Agência Brasil. Entre os infectados, 98% não estavam totalmente vacinados. O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, Eder Gatti, atribui o avanço da doença a discursos antivacinação do governo de Donald Trump, que classifica como uma ameaça a todo o continente americano.

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De acordo com Gatti, o secretário de Saúde americano, equivalente ao cargo de ministro no Brasil, é declaradamente contrário às vacinas. Para o diretor do PNI, o descontrole de casos nos Estados Unidos está diretamente relacionado ao crescimento de discursos negacionistas no país. Ele afirma que a vacina contra o sarampo é de bloqueio, ou seja, quem se vacina não contrai nem transmite a doença.

São Paulo concentra maior número de casos

O Brasil registrou 61 casos de sarampo neste ano, a maioria de origem importada. São Paulo é o estado com mais ocorrências, somando 40 casos confirmados em 2026. O Amazonas também teve casos recentes, com 17 confirmados entre setembro e outubro. Mesmo diante desse cenário, o país mantém a certificação de área livre do sarampo, concedida porque não há transmissão sustentada da doença em território nacional desde 2024.

Segundo Eder Gatti, o certificado de área livre foi conquistado em 2016, perdido em 2019 após reintrodução da doença na região Norte, e só recuperado depois de um surto que chegou a 19 mil casos em São Paulo. Ele destaca que a diferença entre a situação brasileira atual e a americana está na postura e na resposta das autoridades sanitárias de cada país.

Cobertura vacinal melhorou nos últimos anos

Os índices de vacinação da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, dentro do calendário básico infantil, eram de 88% na primeira dose e 66% na segunda em 2023. Em 2024, a cobertura subiu para 96% e 78%, respectivamente. Neste ano, as taxas preliminares apontam 95% na primeira dose e 80% na segunda, segundo o PNI.

Gatti alerta que o sarampo é uma doença que pode matar crianças, causar abortos e complicações obstétricas, com índice de letalidade maior entre populações vulneráveis, como indígenas e pessoas em situação de pobreza. Ele afirma esperar que o Brasil consiga manter a certificação mesmo diante do cenário internacional desfavorável.

Mudanças nos EUA geram confusão sobre vacinas

Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados para todas as crianças. Trump também determinou que a vacina tríplice viral, aplicada desde a década de 1970, seja separada em três imunizantes distintos, administrados em momentos diferentes — mesmo não havendo fabricação de vacinas individualizadas contra sarampo, caxumba e rubéola há quase 20 anos.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, afirma que as novas recomendações americanas foram motivadas por questões políticas, sem base científica, e são inviáveis na prática. Segundo ele, a divergência entre a Academia Americana de Pediatria, que mantém a recomendação original, e o órgão governamental, que propõe mudanças, gera confusão na população e compromete a confiança necessária para o sucesso da vacinação.

Vigilância tem custo elevado para conter casos

De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), os casos de sarampo no continente americano já ultrapassam 56 mil, com pelo menos 80 mortes registradas. Juarez Cunha avalia que a vigilância brasileira tem respondido rapidamente às suspeitas de contaminação, mas esse trabalho exige grande mobilização: sempre que há suspeita da doença, autoridades sanitárias confirmam a infecção, isolam o paciente, monitoram contatos e reforçam a vacinação na comunidade.

Somente em São Paulo, estado com a maior parte dos casos confirmados no país, quase 4 milhões de doses extras da vacina foram aplicadas neste ano. No Amazonas, já foram quase 192 mil doses aplicadas após os casos registrados em setembro e outubro. Cunha explica que o sarampo tem altíssima facilidade de transmissão entre pessoas suscetíveis e defende que a cobertura vacinal de 95% seja mantida continuamente, e não apenas em momentos de risco, para evitar a chamada complacência, quando a população reduz a vacinação por acreditar que a doença já não representa perigo.

Com informações e imagem de Agência Brasil — Saúde. Produzido com apoio de IA e revisado pela redação.

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