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Política

Lula tem 72,6% dos votos em seções de presídios no 1º turno; Flávio fica com 23,3%

Levantamento com boletins de urna do TSE reúne 243 seções onde votam presos provisórios, adolescentes internados e servidores. No país, Flávio Bolsonaro ficou à frente no 1º turno.

Redação Jornal de Rio Preto 10 de outubro de 2026, 15h16
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante lançamento de sua campanha em São Bernardo do Campo (SP)
Lula no lançamento de sua campanha, em agosto, em São Bernardo do Campo (SP) — Foto: Ricardo Stuckert (CC BY-SA 4.0)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 72,6% dos votos válidos nas seções eleitorais instaladas em presídios e unidades socioeducativas no primeiro turno das eleições de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL) teve 23,3%. Os números são de um levantamento do Poder360 feito com os boletins de urna do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O resultado é o oposto do registrado no país. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois disputam o segundo turno no dia 25.

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Os números

O levantamento somou 11.190 votos válidos em 243 seções classificadas pelo TSE como destinadas a presos provisórios, em 24 unidades da Federação. Lula recebeu 8.118 votos e Flávio, 2.605. Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro, com 177 votos, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 168, e Renan Santos (Missão), com 73.

Lula foi o mais votado em 218 das 243 seções, e Flávio, em 24. A seção restante, em Goianésia (GO), teve vitória de Caiado. São Paulo concentrou o maior número de seções: Lula venceu em 55 e Flávio, em 6. No Rio Grande do Sul, o petista liderou nas 17 seções analisadas.

Entre os presídios conhecidos, Lula teve 74 votos contra 70 de Flávio no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, e 280 contra 21 no Complexo de Pedrinhas, no Maranhão. Na Penitenciária II de Potim (SP), Flávio venceu por um voto: 8 a 7.

Quem vota nos presídios

Os percentuais não representam apenas o voto de pessoas presas. Só podem votar nessas seções os presos provisórios, que ainda não têm condenação definitiva, e adolescentes a partir de 16 anos em medida socioeducativa de internação, desde que estejam com a situação eleitoral regular. Presos condenados sem possibilidade de recurso têm os direitos políticos suspensos e não votam.

As mesmas seções também recebem votos de policiais penais, agentes penitenciários, outros servidores das unidades e mesários que pediram transferência temporária para esses locais.

O voto dos presos provisórios chegou a ser proibido pela Lei Antifacção, em vigor desde março. O TSE, porém, suspendeu a regra nesta eleição, por entender que ela fere o princípio da anualidade, que impede mudanças nas regras eleitorais a menos de um ano do pleito.

Na região

No noroeste paulista, a lista de unidades consultadas inclui o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Paulo de Faria, o CDP de Nova Independência, a Penitenciária de Avanhandava e uma unidade da Fundação Casa em Araçatuba. Nenhuma seção desse tipo em Rio Preto aparece no levantamento.

O que explica o resultado

Para o analista político Anderson Nunes, ouvido pela revista Crusoé, o resultado se explica principalmente pelo perfil desse eleitorado, formado em sua maioria por homens com ensino fundamental incompleto. Segundo o Datafolha do início de outubro, Lula tinha 54% das intenções de voto nesse grupo, contra 27% de Flávio.

O analista também cita as propostas dos dois campos para o sistema prisional: a direita defendeu penas maiores e o fim de benefícios como a saída temporária, enquanto o PT defende progressão de regime e alternativas à prisão. Em 2024, porém, o próprio Lula sancionou a lei que restringiu a saída temporária de presos.

Com informações do Poder360 e de O Antagonista/Crusoé, com dados do TSE. Foto: Ricardo Stuckert (CC BY-SA 4.0). Produzido com apoio de IA e revisado pela redação.

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