Lula tem 72,6% dos votos em seções de presídios no 1º turno; Flávio fica com 23,3%
Levantamento com boletins de urna do TSE reúne 243 seções onde votam presos provisórios, adolescentes internados e servidores. No país, Flávio Bolsonaro ficou à frente no 1º turno.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 72,6% dos votos válidos nas seções eleitorais instaladas em presídios e unidades socioeducativas no primeiro turno das eleições de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL) teve 23,3%. Os números são de um levantamento do Poder360 feito com os boletins de urna do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O resultado é o oposto do registrado no país. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois disputam o segundo turno no dia 25.
Os números
O levantamento somou 11.190 votos válidos em 243 seções classificadas pelo TSE como destinadas a presos provisórios, em 24 unidades da Federação. Lula recebeu 8.118 votos e Flávio, 2.605. Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro, com 177 votos, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 168, e Renan Santos (Missão), com 73.
Lula foi o mais votado em 218 das 243 seções, e Flávio, em 24. A seção restante, em Goianésia (GO), teve vitória de Caiado. São Paulo concentrou o maior número de seções: Lula venceu em 55 e Flávio, em 6. No Rio Grande do Sul, o petista liderou nas 17 seções analisadas.
Entre os presídios conhecidos, Lula teve 74 votos contra 70 de Flávio no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, e 280 contra 21 no Complexo de Pedrinhas, no Maranhão. Na Penitenciária II de Potim (SP), Flávio venceu por um voto: 8 a 7.
Quem vota nos presídios
Os percentuais não representam apenas o voto de pessoas presas. Só podem votar nessas seções os presos provisórios, que ainda não têm condenação definitiva, e adolescentes a partir de 16 anos em medida socioeducativa de internação, desde que estejam com a situação eleitoral regular. Presos condenados sem possibilidade de recurso têm os direitos políticos suspensos e não votam.
As mesmas seções também recebem votos de policiais penais, agentes penitenciários, outros servidores das unidades e mesários que pediram transferência temporária para esses locais.
O voto dos presos provisórios chegou a ser proibido pela Lei Antifacção, em vigor desde março. O TSE, porém, suspendeu a regra nesta eleição, por entender que ela fere o princípio da anualidade, que impede mudanças nas regras eleitorais a menos de um ano do pleito.
Na região
No noroeste paulista, a lista de unidades consultadas inclui o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Paulo de Faria, o CDP de Nova Independência, a Penitenciária de Avanhandava e uma unidade da Fundação Casa em Araçatuba. Nenhuma seção desse tipo em Rio Preto aparece no levantamento.
O que explica o resultado
Para o analista político Anderson Nunes, ouvido pela revista Crusoé, o resultado se explica principalmente pelo perfil desse eleitorado, formado em sua maioria por homens com ensino fundamental incompleto. Segundo o Datafolha do início de outubro, Lula tinha 54% das intenções de voto nesse grupo, contra 27% de Flávio.
O analista também cita as propostas dos dois campos para o sistema prisional: a direita defendeu penas maiores e o fim de benefícios como a saída temporária, enquanto o PT defende progressão de regime e alternativas à prisão. Em 2024, porém, o próprio Lula sancionou a lei que restringiu a saída temporária de presos.
Com informações do Poder360 e de O Antagonista/Crusoé, com dados do TSE. Foto: Ricardo Stuckert (CC BY-SA 4.0). Produzido com apoio de IA e revisado pela redação.



